Tortura Para Crianças

A importância da educação no jogo
O jogo tem em si uma componente estimulante e didática, bem como uma riqueza potencial de conteúdos culturais e de processos de construção que pode ser explorada pelas crianças. No entanto, não é o jogo que é educativo, é o olhar que observa distintamente a atividade da criança, com novos valores e noções. Assim, quando a criança dispõe de autonomia e domina o desafio proposto pelo jogo, voltado para o divertimento, pode ser debatido o real interesse educativo envolvido.
A relação entre jogo e educação não parece fundada de maneira científica e positiva, mas diz respeito a uma afirmação voluntarista e com origem romântica. Vários são os autores que estudam esta relação e existem diversas perspetivas da sua importância, já que há autores que defendem que o jogo tem potencial educativo e que acrescentam uma intenção educativa, outros defendem que o jogo é um obstáculo à aprendizagem, que causa isolamento, agressividade e dependência. Deste modo, ao longo deste texto tentamos descodificar o potencial educativo específico do jogo e como pode ser importante para os TPC.
O potencial educativo do jogo deve-se à capacidade de o jogo permitir a exploração, cuja finalidade é aprender sobre o mundo algo útil para a criança e que o incentive a querer descobrir mais e a investigar, ou seja, aprofundar seus conhecimentos. Para além disso, o jogo tem componentes divertidas e de lazer que provoca emoção e excitação, e, apesar de, o propósito do jogo não é ser educativo, a verdade é que se apoia sobre um modelo similar de recursos educativos, estabelece relação com elementos do cotidiano, permitindo transformações, imitações, ganhar destreza mental e comentários dessa realidade, ou seja, o jogo é acompanhado de efeitos educativos. Desta forma, o prazer inerente ao jogo supõe a manipulação simbólica de conteúdos, que pode ser acompanhada de aprendizagens informais ou complementar e aprofundar aprendizagens formais. Para finalizar, estudos indicam que a maioria das crianças acreditam que aprendem com os jogos, aprendem: a desenvolver a rapidez de raciocínio; os reflexos; a pensar; estratégias e o desenvolvimento mental; táticas; trabalhar em equipa para atingir objetivos; valores e aspetos da cidadania; desenvolver a criatividade e imaginação; a persistir e nunca desistir dos objetivos e metas, etc.
Face ao potencial do jogo abordado anteriormente, é importante que a educação formal introduza ou aposte mais nestas atividades similares ao lazer. Assim, ao apostar em atividades lúdicas como os videojogos como TPC, as crianças podem colocar em prática o potencial educativo do jogo que falamos anteriormente e é uma alternativa face aos TPC tradicionais que as crianças estão habituadas, já que pertencem à geração Z, ou seja, geração da velocidade, conetividade e multiprocessamento. A título exemplificativo, existe o Kahoot, uma aplicação que permite fundamentar as temáticas e sustentar ideias exploradas em aula.
Referências:
-
B. Gilles – Lúdico e educação: novas perspetivas (2002)
-
https://pure.coventry.ac.uk/ws/portalfiles/portal/21530928/LP_SP_MP_Perspectivas_de_pais_e_filhos_sobre_os_V.pdf , consultado no dia 23 de maio de 2020

Fotografia de autoria própria